Nossa! Ontem beijou, cheirou, apertou, chupou, torceu, arranhou, lambeu, cuspiu, sonhou num quarto cor de mel. O dia na janela era branco e macio, o vento batia na persiana de madeira e chacoalhava as folhas verde-escuras do flamboyant. O som era dos passarinhos, das poucas rodas que passavam sobre os paralelepípedos e, depois de muito tempo sem os escutar em dueto, do retumbar dos sinos em uma igreja desconhecida. Respirava calma e quente como em casa, também porque ele lhe era muito familiar. Entre todas aquelas madeiras nas paredes estavam os muitos genitivos, contrações, dêixis e interjeições que depois se embaralham todos no pensamento, na garganta e nos dedos – tantas entrelinhas para lembrar, explicar e categorizar.